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A duas mãos

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A duas mãos

 

Este artigo tem o objetivo de refletir sobre o vídeo “A duas mãos”, que pode ser assistido acessando o site http://www.lixdesign.com.br

O vídeo é protagonizado por duas mãos, que no início do vídeo são apresentadas: a esquerda e a direita, simbolizando a diferença entre as pessoas, a bipolaridade das coisas e do mundo.

Na seqüência as mãos começam a atuar. A mão esquerda com um tracejar livre e impreciso, sendo repreendida pela mão direita, que lhe apresenta a precisão, firmeza e retidão de seus traços feitos acima do desenho da primeira, precedido do sinal de “não”.

A mão direita é mais clássica nos traços e gostos, tendo sua sonorização representada por um piano, enquanto a esquerda tem seus feitos sonorizados por um som mais rústico.

Mas eis que a esquerda, de pensamento mais livre, menos treinada, menos escrava das regras sociais, do “como deve ser”, tem a idéia de contribuir no desenho da mão direita e fazer com que este seja aprimorado, ganhando em qualidade e representação. A direita gosta da idéia e contribui também com seu tracejar clássico no desenho da esquerda, atingindo bons resultados.

O vídeo nos leva a refletir sobre a nossa sociedade e as relações humanas, porque temos a tendência de tomar nossas vivências e pensamentos como ideal e os utilizamos como parâmetro para julgar as atitudes alheias na definição do que é certo ou errado e de como as coisas devem ser. Isto foi retratado na primeira parte do vídeo, onde uma mão negava a criação da outra, demonstrando o seu desenho como a dizer “é assim que deve ser” e “como você faz não está certo”.

Nenhum dos dois estava errado em suas criações. Eram apenas visões diferentes. E mesmo que uma tenha produzido mais que a outra, as contribuições tiveram igual valor.

Mesmo que a mão direita tenha criado mais, a frieza de seus prédios teve a mesma valia do poucos traços da mão esquerda, que trouxe a vida à cidade, representando a natureza.

Mas nunca é tarde! E elas entraram em consenso. Tiradas da zona de conforto, refletindo, analisando, acabaram por perceber o valor da atitude alheia e numa postura de respeito, abandonaram a postura do que “eu sei”, passaram a observar o que “outro sabe” e se dedicaram ao “que nós sabemos e fazemos”.

A realidade, é que fruto de personalidades e experiências diferentes, temos idéias, visões e habilidades diferentes (as chamadas inteligências múltiplas). Cada um de nós ocupa um lugar e tem uma missão que são só suas. Cada um de nós, com a sua maneira de ser tem o seu papel na sociedade e é nessas diferenças que se encontra a riqueza das coisas e do mundo.

Para haver construção conjunta, faz-se necessário que haja respeito, limites, aceitação, concessões e união.

Mas a maior lição que tiramos desse vídeo é a ciência da importância de valorizar as contribuições de cada criança e engajá-las no contexto, a evidência de que não existe o caminho certo, mas rotas diferentes, de que o complexo inicia-se pelo simples, sendo composto por uma série de pequenos detalhes, de que para se fazer uma avaliação justa, não um julgamento é necessário acompanhar todo o processo de construção do produto final e que cedendo, caminhando junto e trabalhando em sintonia os resultados se aprimoram e todos saem ganhando.

 Por Kelli Mattes e Ana Mattes

 

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